Colunista Joice Vancoppenolle: Os vinhos do Mediterrâneo

Todos, ou a maioria de nós sabemos da existência do Muro das Lamentações em Jerusalém, capital de Israel. Mas você leitor, sabia que esse país também produz vinho de qualidade?

Apesar da constante agitação política de Israel e da ausência de uma imagem como país produtor de vinho, estão surgindo alguns bons vinhos em duas regiões – Galiléia e Colinas da Judéia. O solo, a altitude e o clima desses locais têm condições favoráveis para o cultivo de uvas e os produtores estão chegando a essa área para elaborar vinhos de alto calibre.

Uma dupla de proeminentes produtores de vinhos em Israel são Domaine du Castel e Golan Heigts Winery. O primeiro produz vinhos sob o nome Castel-Grand Vin; o segundo, vinhos com o nome de Yarden, Gamla e Golan em seus rótulos. Os vinhos de qualidade de Israel são um fenômeno novo. A primeira prensagem do Domaine du Castel ocorreu em 1992, e a Golan Heigts Winery estreou seu primeiro vinho em 1984.

O Château Musar é o mais famoso vinho do Líbano. Localizado a menos de 22 quilômetros de Beirute, a instabilidade política coloca muitos desafios que nem todos o produtores de vinho estão dispostos a encarar (como bombardeios), mas mesmo assim Musar continua a produzir vinhos de boa qualidade sob o nome do próprio château.

O Chipre produziu vinho há seis mil anos e foi o primeiro país do Mediterrâneo a fazê-lo.

Apesar da crise econômica atual, a Grécia produz vinhos com variedades internacionais como a Cabernet Sauvignon, a Sauvignon Blanc, a Chardonnay, a Syrah e a Viognier, vale a pena procurar por vinhos que incluem a Assyrtiko, a variedade local. Trata-se de uma uva branca com frescor de limão e final mineral. A nuance de rocha é mais pronunciada quando ela é cultivada no solo vulcânico de Santorini.

Sigalas Paris é o principal produtor de vinho na ilha de Santorini, com uma gama de vinhos deveras excitantes com uvas cultivadas organicamente. Seus vinhos

brancos são 100% Assirtiko, com ou sem carvalho. Os vinhos de Sigalas Paris tem bom equilíbrio de extrato e acidez, onde aromas e sabores de uma mistura de casquinhas de frutas cítricas e aqueles característicos de terra e mineral provenientes do solo de Santorini. As versões com carvalho mostram-se bem integradas com a complexidade da madeira.

O vinho grego não é – e parece que nunca será – barato. Isso porque os produtores são pequenos e as despesas com os custos de sua produção ainda permanecem relativamente altas em relação à produtividade.

Se você se deparar com uma garrafa de vinho da Grécia chamado Retsina, lembre-se de que ele é flavorizado (quando se acrescenta uma substância para dar sabor e aroma ao vinho) com resina de pinus e é geralmente um gosto adquirido.

Agora leitor, você já sabe que além de sol, calor e belas praias, o Mediterrâneo também tem vinhos.

“Na equação de harmonização, tanto quanto o prato, temos que pensar no momento e nas pessoas.”

João Filipe Clemente

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