Colunista Moacir Saraiva: “No início, tudo. No fim, nada”

No calendário acontece algo inusitado, primeiro vem o fim e depois o começo de tudo. No mês de setembro se comemora o dia dos idosos e no mês de outubro o país festeja o início de tudo, o dia das crianças.

Estamos no mês de setembro e dentre as muitas comemorações que a sociedade criou para este mês, está o dia do idoso e é também comemorado o mês de conscientização do Alzheimer, sendo o dia 21 a data maior para esta conscientização. Diferentemente do mês de outubro, não se vê outdoors fazendo alusão aos idosos, não se vê o comércio, de nenhuma cidade, enfeitando as lojas a fim de celebrar o mês de setembro e o pior não se vê famílias buscando proporcionar mais alegria aos seus avós ou pais com muitos setembros nas costas. Enquanto isso, em outubro, há um clima de muita festa, de muita alegria, lojas se enfeitam, ruas são ornadas, propagandas aos montes e famílias mobilizadas a fim de alegrar mais a vida das crianças.

Idosos, abandonados pelos poderes públicos, idosos que crescem em virtude de a vida do brasileiro estar se alongando cada vez mais, ainda assim, os olhos são fechados para eles. Pincipalmente nas cidades interioranas, ruas são intransitáveis para aqueles que já não têm tanta mobilidade para locomoção, espaços destinados aos de terceira idade não há nos bairros e nem em lugar nenhum, espaços de convivência, também, são negados.

Ademais, é no seio familiar que o idoso mais sente falta de apoio e de amor. Muitos filhos, netos e outros parentes que, muitas vezes, sugam o que o idoso tem de material e o descarta no que tange ao imaterial, lhes negam afeto, carinho, amor, sorrisos, tempo para conversar, afinal, o sujeito ou a sujeita fica solitário no meio dos novos e o pior, abandonado ou tolerado.

Quando a criança nasce, não falta quem lhes troque a fralda, muitos se candidatam a banhá-la, quando o idoso está nos seus últimos momentos, faltam filhos e netos para trocar fraldas, não há quem lhes dê um banho, como é interessante esta diferença, no inicio, pais se dedicam, pais se sacrificam, pais renunciam até a vida social a fim de cuidar do

rebento, entretanto, não se vê este mesmo empenho de muitos filhos, quando os pais mais precisam.

A sociedade brasileira atual precisa aprender a conviver e, acima de tudo, respeitar os mais velhos. O Estatuto do Idoso foi criado, mas leis não são suficientes para fazer com que familiares e políticos tratem com carinho aqueles que precisam de apoio.

Que o setembro seja mais um mês para reflexão e ação no sentido de que os idosos se valorizem, busquem seus espaços na sociedade e filhos, netos, noras, genros possam ser amáveis com os idosos da família. Bastante cuidado para com aqueles que sofrem alguma demência, pois estes se tornam mais dependentes, ainda.

Quando os idosos estiverem em estado de muita dependência, que sejam tratados com carinho que nem uma criança ao nascer.

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