Colunista Moacir Saraiva: “O lobo do Morro”

Por Moacir Saraiva

Estudante é um bicho inventivo. Sem querer ser saudosista, mas outrora, eles usavam mais ainda esta inventividade com o objetivo de brincar de fazer rir, sem jamais usar de violência, sem usar de artifícios para prejudicar quem quer que fosse.

Um grupo de alunos ia passar as férias em uma ilha cuja marca era a beleza das praias, além disso, um espaço, ainda, virgem no que diz respeito à invasão da modernidade. Estes jovens, a maioria formada por universitários, passavam mais de trinta dias neste lugar cru, ainda. A crueza se manifestava também nos seus habitantes, pois era uma comunidade de pescadores, doutores em pesca artesanal, utilizavam como transporte para singrar o Oceano Atlântico canoas de madeira e poucos barcos também de madeira.

A ilha era grande, mas o povoado era pequeno, não tinha mais do que cem pescadores, além deles suas esposas e filhos. Ademais, algumas casas de pessoas da cidade que lá veraneavam. Nos meses das férias, havia um aumento da população não significativo. Luz elétrica não havia, a iluminação era produzida por um gerador que funcionava até as 21 horas.

Os jovens resolveram mexer com o lugarejo de uma forma engraçada e conseguiram, inventaram algo divertido, e teve tanta repercussão que não havia uma vivalma na ilha que não falasse sobre o assunto. E se referiam a ele com muito medo. Até hoje, os nativos idosos ainda se lembram deste momento vivido no povoado.

Ao lado do vilarejo, havia um monte alto o suficiente para que um grito emitido do seu topo todos o ouvissem e um dos estudantes o observou bem e pôs o plano em ação.

Já que, à noite, os moradores ficavam sentados nas calçadas conversando, tomando café, comendo bolo ou beiju. O estudante engenhoso, em uma sexta-feira, subiu ao monte e de lá emitiu um uivo bem forte, não só um, mas emitiu cinco uivos. Silêncio geral no povoado e todos, incontinenti, se recolheram, pois o medo tomou conta de velhos, dos adultos e a meninada ficou mais assustada ainda.

No dia seguinte, sábado, não havia outro assunto na boca do povo a não ser este. E mil versões para o fato apareceram. Os mais velhos

afirmavam, com conhecimento de causa, que as profecias estavam se consumando, chegou a hora de o mundo se acabar. E instigava a todos a rezarem mais ainda. Na noite do sábado, poucos se arvoraram a conversar nas portas de casa, assim que a luz se apagou, novamente cinco uivos, logo no primeiro, os poucos que estavam no bate papo correram desesperadamente para o interior das casas.

Os mais sagazes, nos dois dias, ouviram e descobriram que o uivo vinha do morro, então no sábado, houve uma reunião, inclusive com a participação dos estudantes e marcaram para, à noite, todos armados, irem à busca do autor do uivo. Nesta noite não houve uivo. Os homens voltaram frustrados para casa.

Nos dias subsequentes novamente o barulho vindo do lobo apareceu. Outras duas vezes, os homens se reuniram para caçar o ente que estava assustando a todo o povoado. Mas todas as incursões em vão.

As férias terminaram, os jovens voltaram para a cidade e o uivo desapareceu, mas até hoje, ainda, há quem a ele se refira com medo.

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